10/07/2017 - Após inflação negativa em junho, analistas cortam previsão para juros e PIB
Com a inflação negativa em junho pela primeira vez em 11 anos, economistas consultados pelo Banco Central passaram a prever que o Banco Central vai cortar mais a taxa básica de juros, a Selic. A previsão para a taxa no final de 2017 passou de 8,5% para 8,25%.

Os analistas também reduziram as estimativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), para 0,34%, e para a inflação. A previsão para a cotação do dólar foi mantida.

Veja as projeções para 2017 do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo BC:

- PIB: caiu de 0,39% para 0,34%;

- Inflação: caiu de 3,46% para 3,38%;

- Taxa de juros: caiu de 8,5% para 8,25% ao ano;

- Dólar: foi mantido em R$ 3,35.

Recessão

A projeção de 3,38% deixaria a inflação abaixo do centro da meta do governo. O objetivo é manter a inflação em 4,5% ao ano, com uma tolerância de 1,5 ponto para mais ou menos (ou seja, variando de 3% a 6%).

Em junho, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial no país, foi negativo em 0,23% em junho, a taxa mensal mais baixa em 19 anos.

Com o resultado, o país registra a primeira deflação (queda dos preços) mensal em 11 anos, desde junho de 2006 (-0,21%).


A queda nos preços é resultado de um conjunto de fatores.

Com a crise econômica, o desemprego atinge 13,8 milhões de trabalhadores, o que provoca diminuição do consumo. Mesmo que está empregado acaba comprando menos porque a renda caiu ou por medo de perder o emprego. A procura menor por produtos, assim, ajuda a segurar a inflação.

Para manter o nível de inflação esperado, o governo faz uso da política monetária, por meio da taxa básica de juros, a Selic.

De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a caírem. Quando a inflação está baixa, como agora, o BC derruba os juros para estimular o consumo.

No final de maio, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu cortar a taxa básica de juros (Selic) pela sexta vez seguida. A Selic caiu 1 ponto percentual, para 10,25% ano.


Entenda o que é o boletim Focus

Toda semana, o BC divulga um relatório de mercado conhecido como Boletim Focus, trazendo as apostas de economistas para os principais indicadores econômicos do país.

Mais de 100 instituições são ouvidas e, excluindo os valores extremos, o BC calcula uma mediana das perspectivas do crescimento da economia (medido pelo Produto Interno Bruto, o PIB), perspectivas para a inflação e e a taxa de câmbio, entre outros.

Mediana apresenta o valor central de uma amostra de dados, desprezando os menores e os maiores valores.


Veja vilões e mocinhos da inflação no primeiro semestre de 2017


- A inflação desacelerou no primeiro semestre de 2017 e ficou em 1,18% no acumulado de janeiro a junho, o menor nível para o período desde 1994. Alguns alimentos, passagens aéreas e combustíveis ficaram mais baratos. No entanto, outros produtos tiveram alta e minimizaram o alívio no bolso do consumidor. Clique nas imagens acima e veja os vilões e mocinhos da inflação no primeiro semestre


- ABACATE - A fruta teve a maior queda de preços no primeiro semestre do ano: -45,62%

- MANGA - A grande vilã do primeiro semestre foi a manga, que ficou 43,1% mais cara

- LIMÃO - Tomar uma limonada ficou mais barato com a queda de 34,18% no preço do limão no primeiro semestre

- MORANGO - O preço do morango subiu 25,18% entre janeiro e junho

- FEIJÃO - Vilão em 2016, o feijão virou mocinho no primeiro semestre de 2017 com queda de 28,43% no tipo preto, 13,55% do fradinho e 10,52% do feijão carioca

- AÇAÍ - Os fãs de açaí na tigela pagaram mais caro para saborear a iguaria no primeiro semestre. O preço subiu 24,38%

- MANDIOCA (AIPIM) - O preço do tubérculo teve queda de 18,05% no primeiro semestre

- ALFACE - Presente na maioria das saladas, a alface ficou 10,92% mais cara

- OVOS - Fazer um bolo ou uma omelete pesou um pouco mais no bolso do consumidor com a alta de 10,6% no preço dos ovos de galinha

- FILÉ MIGNON - Para que gosta de um bom churrasco, o preço do filé mignon caiu 7% entre janeiro e junho

- PASSAGEM AÉREA - Voar de avião ficou mais barato com a redução de 20,06% no preço das passagens no primeiro semestre

- COMBUSTÍVEIS - O preço dos combustíveis deu um alívio para quem depende de carro e moto para se locomover. O etanol teve redução de 12,41% no primeiro semestre, enquanto a gasolina ficou 5,56% mais barata

- EDUCAÇÃO INFANTIL - Manter os filhos na escola particular ficou mais caro e os pais pagaram 10,22% a mais no primeiro semestr

Fonte: economia.uol.com.br/